domingo, 31 de dezembro de 2006
Luz Ténue
Eu ontem vi-te...Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse
Fulgor assim.
Ângelo de Lima
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Vem Comigo!
Lembro-me agora que tenho de marcar um encontro contigo, num sítio em que ambos nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma das ocorrências da vida venha interferir no que temos para nos dizer. Muitas vezes me lembrei de que esse sítio podia ser, até, um lugar sem nada de especial, como um canto de um café, em frente de um espelho que poderia servir de pretexto para reflectir a alma, a impressão da tarde, o último estertor do dia antes de nos despedirmos, quando é preciso encontrar uma fórmula que disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É que o amor nem sempre é uma palavra de uso, aquela que permite a passagem à comunicação mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale, de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio ser, como se uma troca de almas fosse possível neste mundo. Então é natural que voltes atrás e me peças "Vem comigo!", e devo dizer-te que muitas vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde, isto é, a porta tinha-se fechado até outro dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que á também a mais absurda, de um sentimento; e, por trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos encontrar, que há-de ser um dia azul, de Verão, em que o vento poderá soprar do Norte, como se fosse daí que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas, que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo das pétalas, o vermelho do Sol e o branco dos muros."Carta (Esboço)", Nuno Júdice
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
Regresso
.
Regresso devagar ao teu
sorriso comoquem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
"Amor como em Casa", Manuel António Pina
Regresso devagar ao teusorriso comoquem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
"Amor como em Casa", Manuel António Pina
sábado, 23 de dezembro de 2006
Rasgo

Meu coração tardou. Meu coração
Talvez se houvesse amor nunca tardasse;
Mas, visto que, se o houve, houve em vão,
Tanto faz que o amor houvesse ou não.
Tardou. Antes, de inútil, acabasse.
Meu coração postiço e contrafeito
Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,
Talvez, num rasgo natural de eleito,
Seu próprio ser do nada houvesse feito,
E a sua própria essência conseguido.
Mas não. Nunca nem eu nem coração
Fomos mais que um vestígio de passagem
Entre um anseio vão e um sonho vão.
Parceiros em prestidigitação,
Caímos ambos pelo alçapão.
Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.
"Meu Coração Tardou", Fernando Pessoa
sábado, 16 de dezembro de 2006
Ensina-me a chorar

there's still a little bit of your taste in my mouth
there's still a little bit of you laced with my doubt
it's still a little hard to say what's going on
there's still a little bit of your ghost your witness
there's still a little piece of your face i haven't kissed
you step a little closer to me
still i can't see what's going on
stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball
there's still a little bit of your song in my ear
there's still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer each day
so close that i can't see what's going on
stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannon
stones taught me to fly
love taught me to cry
so come on courage
teach me to be shy
'cause it's not hard to fall
and i don't want to scare her
it's not hard to fall
and i don't wanna lose
it's not hard to grow
when you know that you just don't know
"Cannonball", Damien Rice
there's still a little bit of you laced with my doubt
it's still a little hard to say what's going on
there's still a little bit of your ghost your witness
there's still a little piece of your face i haven't kissed
you step a little closer to me
still i can't see what's going on
stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannonball
there's still a little bit of your song in my ear
there's still a little bit of your words i long to hear
you step a little closer each day
so close that i can't see what's going on
stones taught me to fly
love taught me to lie
life taught me to die
so it's not hard to fall
when you float like a cannon
stones taught me to fly
love taught me to cry
so come on courage
teach me to be shy
'cause it's not hard to fall
and i don't want to scare her
it's not hard to fall
and i don't wanna lose
it's not hard to grow
when you know that you just don't know
"Cannonball", Damien Rice
Outono
Outono do amor que folhas movesna direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
Gastão Cruz
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
O Perfume
Der Wahnsinnist
nur eine schmale Brücke
die Ufer sind Vernunft und Trie
bich steig dir nach
das Sonnenlicht den Geist verwirrt
ein blindes Kind das vorwärts kriecht
weil es seine Mutter riecht
Ich finde dich
Die Spur ist frisch und auf die Brücke
tropft dein Schweiß dein warmes Blut
ich seh dich nicht
ich riech dich nur Ich spüre Dich
ein Raubtier das vor Hunger schreit
wittere ich dich meilenweit
Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde dich
- so gutich steig dir nach
du riechst so gut
gleich hab ich dich
Jetzt hab ich dich
Ich warte bis es dunkel ist
dann fass ich an die nasse Hautverrate mich nicht
oh siehst du nicht die Brücke brennt
hör auf zu schreien und wehre dich nicht
weil sie sonst auseinander bricht
Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde dich
- so gutich steig dir nach
du riechst so gut
gleich hab ich dich
Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
du riechst so gut
ich finde Dich
- so gut
ich fass dich an
du riechst so gut
jetzt hab ich dich
Du riechst so gut
du riechst so gut
ich geh dir hinterher
"Du Riechst So Gut", Rammstein
sábado, 2 de dezembro de 2006
Extremo a Extremo
Ontemàs onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria
Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros
Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes
O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso
Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro temo estranho verbo nosso
"De Profundis Amamus", Mário Cesariny
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Instantes que Esvoaçam
Nada me expira já, nada me vive ---Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...
"Além-Tédio", Mário de Sá-Carneiro
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Um Fim a Tudo
While stars outspread the night-time watchand wind through darkened treetops swirl
I slowly bow my frozen features
in grif, in sadness and in woe
in grif, in sadness and in woe.
In solitude forever!
Forever I see, forever I hear, forever I smell,
forever I taste and forever I feel the solitude
No voice, no hand of human source
can reach me in this place
though fallen figures closely passes
and invites me into sober dance
this somber dance!
Cold and desolate my soul turns grey,
(and) alone I witness the neverending day.
My wasted dreams lie silent and dead
within this darkened tears I shed
this darkened tears I shed.
In solitude forever!
So lonely I stand on this tortured cliff
hearing distant cosmic echoes calling;
beckons me to decline this withered beauty
and leave this lie to greey the night
the night without an end.
The solitude.
This solitary life
Maybe I should just end it all
Yes, I should just end it all!
"The Solitude", Draconian
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Olhos fechados

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
"Em todas as ruas te encontro", Mário Cesariny
domingo, 26 de novembro de 2006
Amar lê-se Sofrer
you are tiredfrom all the golden coins you threw
in the well
that promised things that couldn't do
you have tried
to live by what your god has wrote
but those lines
they don't give you just what you hoped
do you really belive that love
will keep you from getting hurt?
because when you find the one
you'll open your heart and then
once it is open
it'll take a little raindrop
to get it broken
and then you'll know what is hurting
you're hurting
you're hurt
days go by
and pile up crosses on your wall
counting out
the hours that you wished for more
you're afraid
and you blame it all on yourself
as if guilt
will give you strength to keep it on
"Do you really belive that love will keep you from getting hurt?", David Fonseca
sábado, 25 de novembro de 2006
Despojos
staring at the seawill she come?
is there hope for me
after all is said and done
anything at any price
all of this for you
all the spoils of a wasted life
all of this for you
all the world has closed her eyes
tired faith all worn and thin
for all we could have done
and all that could have been
ocean pulls me close
and whispers in my ear
the destiny i've chose
all becoming clear
the currents have their say
the time is drawing near
washes me away
makes me disappear
i descend from grace
in arms of undertow
i will take my place
in the great below
i can still feel you
even so far away
"The Great Below", Trent Reznor
sábado, 18 de novembro de 2006
Dois em Silêncio

E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...
Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos...
"E o resto é silêncio...", J.G. de Araújo Jorge
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...
Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...
Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...
Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos...
"E o resto é silêncio...", J.G. de Araújo Jorge
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Vem
o, death, come near me,
be the one for me, be the one who stays
my rivers are frozen, and mischosen...
and the shadows around me sickens my heart
o, death, come near me,
and stay (by my side)... hear my silent cry
in sadness i'm veiled, to the cross i am nailed
and the pain around me frozens my world...
my cold world
in life i've failed, for years i've wailed
frozen in time... left behind
the rapture of grief is all to find...
the rapture of grief is all
"behind the shadow of life the lost hopes are grieving
i seek the night and hope to find love...
so i drown in the silence of life's short eternity
the tears fills the void in my heart astray"
embrace me now, delightful ease
give me a realm of wond'rous peace
calm the desperate scream in my heart
o, death, come near me,
save me from this empty, cold world
o, life, you have killed me,
so spare me from this cauldron of misery
in life i cry, away i fly
chosen to fall within these walls
the rapture of grief is all to find...
the rapture of grief is all
o, shed a tear for the loss of innocence,
for the forsaken spirits who aches... in us
cry for the heart who surrenders to pain,
for the solitude of those left behind
behold the pain and sorrow of the world,
dream of a place away from this nightmare
give us love and unity under the heart of night
o, death, come near us, and give us life...
"death, come near me", Draconian
sábado, 11 de novembro de 2006
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Palavras gastas

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de tinão há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
"Adeus", Eugénio de Andrade
terça-feira, 7 de novembro de 2006
Dormir
Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.
Alberto Caeiro
sábado, 4 de novembro de 2006
Espero sozinho
On a cold wet afternoon in a room full of emptiness
by a freeway
i confess i was lost in the pages
of a book
full of death
reading how we'll die alone
and if a god will lay to rest
anywhere we want to go
in your house
i long to be
room by room
patiently
i'll wait for you there
like a stone
i'll wait for you there
alone
and on my death bed
i will prey to the gods and the angels
like a pagan
to anyone who will take me to heaven
to a place
i would recall
i was there so long ago
the sky was bruised
the world was black
and there you led me on
in your house
i long to be
room by room
patiently
i'll wait for you there
like a stone
i'll wait for you there
alone
in all i read
till the day was gone
and i sat in regret
in all the things i've done
for all that i've blessed
and all that i've wronged
in dreams till my death
i will wonder on
in your house i long to be
room by room
patiently
i'll wait for you there
like a stone
i'll wait for you there
alone
alone
"Like a Stone", Audioslave
sábado, 28 de outubro de 2006
Fugitiva

Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
--- Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
Pensei que fosse o meu o teu cansaço ---
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava?...
"Último Soneto", Mário de Sá-Carneiro
terça-feira, 24 de outubro de 2006
Na chuva...
So we in sleep in bedWe never make
Holding close to love
Love should fade
Holding on to this is the best thing we'll ever do
Morning sun is sweet and soft on your eyes
Oh my love, you always leave me surprised
I feel my heart starts to burst
With all my love for you
I know how it rains
I know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you
I know how it rains
I know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you
So it takes some time
And slip away
Holding on to love
Love should stay
Holding on to you is the best thing I'll ever do
Evening sun is sweet and soft in your face
I never ever leave this place
I feel my heart starts to burst
With all my love for you
I know how it rains
I know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you
I know how it rains
I know how it pours
I never could feel this way
For anyone but you
"Love Should", Moby
sábado, 21 de outubro de 2006
Sem me olhares...
Por quem foi que me trocaramQuando estava a olhar para ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele é está feito
E que o tens para mo dar.
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
Fernando Pessoa
sábado, 14 de outubro de 2006
Castelos na Areia
you locked your heartyou wake up with tears and stars in your eyes
you gave it all to someone that
cannot love you back
your days are packed
with wishes and hopes for the love that you've got
you waste it all to someone that
cannot love you back
you secretly made
castles of sand that you hide in the shade
but you cannot hold the tides that break them
and you build them all over again
you talk all these words
you make conversations that cannot be heard
how long until you notice that
no one is answering back
love, ain''t this enough?
you push yourself down
you try to take comfort in words
but words
they cannot love
dont waste them like that
cus they'll bruise you more
love, ain''t this enough?
this pushing around
to find little comfort in words
but words
they cannot love
dont waste them like that
cus they'll bruise you more
you know they'll bruise you more
words they will hurt you more
someone that cannot love
"Someone That Cannot Love", David Fonseca
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
Espuma
Onda de fresca aragemque passas lentamente.
Perfume duma imagem
que encontro docemente
envolta em claridade.
Na espuma do teu ser,
rebrilha um sentimento
de alegre realidade
que em ti seduz, prendendo.
E em nuvem de saudade,
que lenta vai morrendo,
tão louca ansiedade
acabarei esquecendo.
"Aragem", Jeremias
sábado, 7 de outubro de 2006
De olhos nos olhos

The morning sunrise spread her wings
While the moon hung in the sky
Held the sea in your hands
And happy everafter in your eyes
Couldn't leave you to go to heaven
I carry you in my smile
For the first time my true reflection i see
Happy everafter in your eyes
Every star in the night
Promises the dawn
I will be there if you fall
To ever so heavily rest upon
All that i can give you
Is forever yours to keep
Wake up every day with a dream
And happyever after in your eyes
Happy everafter is in your eyes
"Happy Everafter in Your Eyes", Ben Harper
domingo, 1 de outubro de 2006
Regresso?
se regressar, será aos teus olhos que regresso.os acasos ardem nos lábios dos amieiros que na margem do rio
aguardam que regresse. a isso regresso, buscando
coincidências e nomes, razões. afasto-me
provavelmente de ti, embora secretamente.
é por isso estranha a forma como os acasos ardem
para sempre. a outro rio e sob outras sombras
regresso, devagar para não ferir o que antes amei
e por quem morri muitas vezes. agora de novo morro
e por outro rio regresso até ao lugar onde elas, as aves,
nascem para não desaprecerem. e issó é como permanecer.
"Regresso por Outro Rio", Francisco José Viegas
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Tu, do outro lado do Mundo
Over the sea and far awayShe's waiting like an iceberg
Waiting to change
But she's cold inside
She wants to be like the water
All the muscles tighten in her face
Buries her soul in one embrace
They're one and the same
Just like water
The fire fades away
Most of everyday
Is full of tired excuses
But it's to hard to say
I wish it were simple
But we give up easily
You're close enough to see that
You're the other side of the world to me
On comes the panic light
Holding on with fingers and feelings alike
But the time has come
To move along
The fire fades away
Can you help me
Can you let me go
And can you still love me
When you can't see me anymore
The fire fades away
"Other Side of the World", KT Tunstall
sábado, 23 de setembro de 2006
A preto e branco
Quero-te, como se fossesa presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
"Poema de Amor para Uso Tópico", Nuno Júdice
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Desejo da Manhã

a finger's touch upon my lips
it's a morning yearning
pull the curtains shut, try to keep it dark
but the sun is burning
the world awakens on the run
and will soon be earning
with hopes of better days to come
it's a morning yearning
another day, another chance to get it right
must i still be learning
baby crying kept us up all night
with her morning yearning
like a summer rose, i'm a victim of the fall
but am soon returning
your love's the warmest place the sun ever shines
my morning yearning
"Morning Yearning", Ben Harper
sábado, 16 de setembro de 2006
Em Ti!
O que eu adoro em ti
Não é tua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito subtil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza.
Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é A VIDA !!!
"Madrigal Melancólica", Manuel Bandeira
sábado, 9 de setembro de 2006
Revelações

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
"O Amor, Quando se Revela...", Fernando Pessoa
sábado, 2 de setembro de 2006
Olhos de Ti

and so it is
just like you said it would be
life goes easy on me
most of the time
and so it is
the shorter story
no love no glory
no hero in her skies
i can't take my eyes off of you
and so it is
just like you said it should be
we'll both forget the breeze
most of the time
and so it is
the colder water
the blower's daughter
the pupil in denial
i can't take my eyes off of you
did I say that I loathe you?
did I say that I want to
leave it all behind?
i can't take my mind off of you
my mind
'til I find somebody new
"The Blower's Daughter", Damien Rice
domingo, 27 de agosto de 2006
A Única Razão
O teu rosto inclinado pelo vento;a feroz brancura dos teus dentes;
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias,e contudo transparentes;
o triunfo cruel das tuas pernas,
colunas em repouso se anoitece;
o peito raso, claro, feito de água;
a boca sossegada onde apetece
navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor de um fruto, o peso de uma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror,
são a grande razão, a única razão.
"Litania", Eugénio de Andrade
sábado, 19 de agosto de 2006
Sente

I will be here for you
All I want is you
When I see your face
All the Angels are shamed
Lay with me beauty
Feel me close to you
Take my hand to you
Touch you softly. Your warm skin
Cover me with you
Over me under you
Pull me in to you
As one we lay entwined
All I ever wanted
I have, I need never wish again
You are heaven sent
"For You", My Dying Bride
Imagem por Novembers Doom
domingo, 13 de agosto de 2006
Dor
Olho em volta de mim. Todos possuem - Um afecto, um sorriso ou um abraço,
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtase da cor que eu fremiria,
Mas a minh'alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei...perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção para me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse - ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...
Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
- Seria um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado...Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim - ó ânsia! - eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases dourados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
"Como Eu Não Possuo", Mário de Sá-Carneiro
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Anjos e Pesadelos

(I miss you, I miss you)
Hello there, the angel from my nightmare
The shadow in the background of the morgue
The unsuspecting victim of darkness in the valley
We can live like Jack and Sally if we want
Where you can always find me
We'll have Halloween on Christmas
And in the night we'll wish this never ends
We'll wish this never ends
(I miss you, I miss you)
(I miss you, I miss you)
Where are you and I'm so sorry
I cannot sleep I cannot dream tonight
I need somebody and always
This sick strange darkness
Comes creeping on so haunting every time
And as I stared I counted
Webs from all the spiders
Catching things and eating their insides
Like indecision to call you and hear your voice of treason
Will you come home and stop this pain tonight
Stop this pain tonight
Don't waste your time on me you're already The voice inside my head
(I miss you, I miss you)
Don't waste your time on me you're already The voice inside my head
(I miss you, I miss you)
"I Miss You", Blink 182
domingo, 30 de julho de 2006
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