terça-feira, 24 de julho de 2007

Olhos de Gelo



Regarde, il gèle
Là sous mes yeux
Des stalactites de rêves
Trop vieux
Toutes ces promesses
Qui s’évaporent
Vers d’autres ciels
Vers d’autres ports
Et mes rêves s’accrochent à tes phalanges
Je t’aime trop fort, ça te dérange
Et mes rêves se brisent sur tes phalanges
Je t’aime trop fort
Mon ange, mon ange
De mille saveurs
Une seule me touche
Lorsque tes lèvres
Effleurent ma bouche
De tous ces vents,
Un seul me porte
Lorsque ton ombre
Passe ma porte
Et mes rêves s’accrochent à tes phalanges
Je t’aime trop fort, ça te dérange
Et mes rêves se brisent sur tes phalanges
Je t’aime trop fort
Mon ange, mon ange
Prends mes soupirs
Donne moi des larmes
A trop mourir
On pose les armes
Respire encore
Mon doux mensonge
Que sur ton souffle
Le temps s’allonge
Et mes rêves s’accrochent à tes phalanges
Je t’aime trop fort, ça te dérange
Et mes rêves se brisent sur tes phalanges
Je t’aime trop fort
Mon ange, mon ange
Seuls sur nos cendres
En équilibre
Mes poumons pleurent
Mon cœur est libre
Ta voix s’efface
De mes pensées
J’apprivoiserai
Ma liberté
Et mes rêves s’accrochent à tes phalanges
Je t’aime trop fort, ça te dérange
Et mes rêves se brisent sur tes phalanges
Je t’aime trop fort
Mon ange, mon ange

"Le Tunnel d'Or", AaRON

O Teu Olhar O Meu Olhar

Chovia e vi-te entrar no mar
longe de aqui há muito há muito tempo já
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Mais tarde olhei-te e nem te conhecia
Agora aqui relembro e pergunto:
Qual a realidade de tudo isto?
Afinal onde é que as coisas continuam
e como continuam se é que continuam?
Apenas deixarei atrás de mim tubos
[de comprimidos
a casa povoada o nome no registo
uma menção no livro das primeiras letras?
Chovia e vi-te entrar no mar
ó meu amor o teu olhar
o meu olhar o teu amor
Que importa que algures continues?
Tudo morreu: tu eu esse tempo esse lugar
Que posso eu fazer por tudo isso agora?
Talvez dizer apenas
chovia e vi-te entrar no mar
E aceitar a irremediável morte para tudo
[e para todos

"Através da chuva e da névoa", Ruy Belo

sábado, 21 de julho de 2007

Sentir...



I feel I know you
I don't know how
I don't know why

I see you feel for me
You cried with me
You would die for me

I know I need you
I want you to
Be free of all the pain
You hold inside

You cannot hide
I know you tried
To be who you couldn't be
You tried to see inside of me

And now I'm leaving you
I don't want to go
Away from you

Please try to understand
Take my hand
Be free of all the pain
You hold inside

You cannot hide
I know you tried
To feel...
To feel...

"Parisienne Moonlight", Anathema

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Em Silêncio

Countless times I trusted you,
I let you back in,
Knowing... Yearning... you know
I should have run... but I stayed

Maybe I always knew
My fragile dreams would be broken... for you

Today I introduced myself
To my own feelings
In silent agony, after all these years
They spoke to me... after all these years

Maybe I always knew
My fragile dreams would be broken... for you

"Fragile Dreams", Danny Cavanagh

quinta-feira, 19 de julho de 2007

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Aquilo que Ninguém Viu

Que o poeta de todos os poetas
me conceda boa estrela
que a estrela de todos os astros
me premeie na lapela
prémios de honor
prefiro os muitos
oferecidos pelas mãos do amor
coroando o amor e seus heterónimos
nem vão caber nos Jerónimos

Amores anónimos não há
e assim foi pela madrugada
mesmo que seja um "assim fosse"
vou nomear-te namorada
ninguém já soube o que é o amor
se o amor é aquilo que ninguém viu
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
É uma cor que dá na vida
o amor
é uma luz que dá na cor
mas é uma batalha perdida
que se trava com ardor
é uma cor que dá na vida
o amor
dor que desatina sem doer

Se devagar se vai ao longe
devagar te quero perto
mesmo que o que arde nunca cure
vou beijar-te a sol aberto
é já dos livros que o instante
se parece tanto com a eternidade
e que o amor, na verdade
só se cansa de ti
se de ti mesmo te cansas

Mordidas mansas, emoções
suspiros densos, afagares
liberto das definições
o amor define os seus lugares
ilhas desertas até ver
ver o sol, a chuva
o arco do corpo
arco-íris, corpo a corpo
cara a cara, cor a cor
incandescendo o olhar
(Pousa agora, borboleta
na pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor...

E ao pôr o dedo nas feridas
que supúnhamos curadas
provas de fogo atravessamos
no mar alto festejadas
não se controla o inesperado
nem se diz o indizível do amor
uma cor que fugiu
de um pano leve
e pairou serena e breve
no ar
(Pousa agora, borboletana pena deste poeta:)

É uma cor que dá na vida
o amor...

"Definição do Amor", Sérgio Godinho

domingo, 15 de julho de 2007

Dizer Adeus



"Hurt", Christina Aguilera

Amarguras

Você foi a maior das minhas amarguras
E vive até hoje na minha loucura
E foi a mais cruel de todas as vitórias
E faz parte do livro das minhas memórias
Lembrar de que nada de bom,
Você me deu, só machuca alguém
Que não viveu
Vou recomeçar,
Vou tentar viver
Vou tirar você da minha vida
E p'ra não chorar
Antes de partir
Vou tentar sorrir na despedida
Agora que voltei à minha realidade
Tentando me esquecer,
De que tudo foi verdade
Vou rebuscando,
Fundo nas minhas memórias
P'ra riscar você da minha história

"Memórias", Leonardo

terça-feira, 10 de julho de 2007

Devagar

Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

"Meu Amor, Meu Amor", José Carlos Ary dos Santos

Amor por Nós



In two more years, my sweetheart, we will see another view
such longing for the past for such completion
What was once golden has now turned a shade of grey
I've become crueler in your presence

They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way'
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever

Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years so hold on

You've cried enough this lifetime, my beloved polar bear
Tears to fill a sea to drown a beacon
To start anew all over, remove those scars from your arms
To start anew all over more enlightened

I know, my love, this is not the only story you can tell
This pain won't last for ever, this pain won't last for ever

Two more years...

You don't need to find answers for questions never asked of you
You don't need to find answers

dead weights and balloons
drag me to youdead weights and balloons
to sleep in your arms
i've become crueler since i met you
i've become rougher, this world is killing me
we cover our lies with handshakes and smiles

we try to remember our alibis
we tell lies to our parents he hide in their rooms
we bury our secrets in the garden
of course we could never make this love last
i said of course we could never make this love last
the only love we know is love for ourselves
we bury our secrets in the garden

"Two More Years", Bloc Party

domingo, 8 de julho de 2007

Jazigo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai! não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

"Não te amo", Almeida Garrett

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Beijo Que Não Dei

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

"Os Versos Que Te Fiz", Florbela Espanca

terça-feira, 3 de julho de 2007

Meu Pai...



"Dad" - K's Choice

Pai...

Eis que morrestes - agora já não bate
O vosso coração cujo bater
Dava ritmo e esperança ao meu viver
Agora estais perdidos para mim
- O olhar não atravessa esta distância -
Nem irei procurar-vos pois não sou
Orpheu tendo escolhido para mim
Estar presente aqui onde estou vivo.
Eu vos desejo a paz nesse caminho
Fora do mundo que respiro e vejo.
Porém aqui eu escolhi viver
Nada me resta senão olhar em frente
Neste país de dor e incerteza.
Aqui eu escolhi permanecer
Onde a visão é dura e mais difícil.

Aqui me resta apenas fazer frente
Ao rosto sujo de ódio e de injustiça
A lucidez me serve para ver
A cidade a cair muro a muro
E as faces a morrerem uma a uma
E a morte que me corta ela me ensina
Que o sinal do homem não é uma coluna.

E eu vos peço por este amor cortado
Que vos lembreis de mim lá onde o amor
Já não pode morrer nem ser quebrado.
Que o vosso coração que já não bate
O tempo denso de sangue e de saudade
Mas vive a perfeição a claridade
Se compadeça de mim e de meu pranto
Se compadeça de mim e de meu canto.

"Carta aos amigos mortos", Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 2 de julho de 2007

domingo, 1 de julho de 2007

Será talvez...

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do <>.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

"Interrogação", Camilo Pessanha