sábado, 30 de abril de 2011

No dia em que...

Se a luz se esvai

Felizmente que a noite sai
Ainda bem que há nevoa por ai
Estou contente se a luz se esvai
E uma sombra invade este lugar
Se um amanhã perdido
for metamorfose de horror
As trevas não vão demorar
estou contente se a luz se esvai
Se o céu se fecha sobre nós
desprende-se uma rouca voz 
Se o amanhã perdido
for overdose de pavor
Directa sim eu declaro morte so Sol
Directa não e a quem o apoiar
Aí vêm a luz
Se o céu não fecha já sobre nós
Revela-se esta imagem atroz
 
Rui Reininho

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Ninho de Serpentes

Can you feel the pain I feel?
I've lost all sense of what is real
I'm lost, in a world I detest


Can you feel the pain I feel?
This wound I've got will never heal
I'm lost, in the serpents own nest


Oh - set me free - crucify life itself
And let your joy be the reality
Our suffering life - the dream


Pain, the highest order
Scorching the inside of my skin
Terminal spirit disease
An itch of thirst twisting my tortured nerves

Kill the worm that is depression
Join the leeches of oppression
Inpure - twisted - logic they die


Kill the worm that is depression
My fevered circle - circle of damnation
Consumed by this torment divine


Terminal spirit disease
Terminal spirit disease


Your souls condemned to sing of life
Must die to be set free

At The Gates

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sozinho...mas contigo a meu lado

Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.


pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.


às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.


lê isto: mãe, amo-te.


eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.


José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Espera...

Para Desaparecer

Vazio

Life it seems, will fade away
Drifting further every day
Getting lost within myself
Nothing matters no one else
I have lost the will to live
Simply nothing more to give
There is nothing more for me
Need the end to set me free


Things are not what they used to be
Missing one inside of me
Deathly lost, this can't be real
Cannot stand this hell I feel
Emptiness is filing me
To the point of agony
Growing darkness taking dawn
I was me, but now He's gone


No one but me can save myself, but it's too late
Now I can't think, think why I should even try
Yesterday seems as though it never existed
Death Greets me warm, now I will just say good-bye

Metallica

domingo, 24 de abril de 2011

Caminhos

Onde caio...

De entre todos, apenas vós
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.


Vítor Matos e Sá, in 'Companhia Violenta'

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Alheio a Tudo...Igual a Todos

Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.


Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.


Um internado num manicómio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim...


Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu tecto provinciano?
Está maluco.


Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.


Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, por aquele manipanso
Que havia em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer —
Júpiter, Jeová, a Humanidade —
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?


Estala, coração de vidro pintado!


Álvaro de Campos, in "Poemas"

Esquecimento

Deixar Morrer

Deixar Arder

I let it fall, my heart,
And as it fell, you rose to claim it
It was dark and I was over
Until you kissed my lips and you saved me


My hands, they're strong
But my knees were far too weak
To stand in your arms
Without falling to your feet


But there's a side to you
That I never knew, never knew.
All the things you'd say
They were never true, never true,
And the games you play
You would always win, always win.


But I set fire to the rain,
Watched it pour as I touched your face,
Well, it burned while I cried
'Cause I heard it screaming out your name, your name!


When I lay with you
I could stay there
Close my eyes
Feel you're here forever
You and me together
Nothing gets better


'Cause there's a side to you
That I never knew, never knew,
All the things you'd say,
They were never true, never true,
And the games you play
You would always win, always win.


I set fire to the rain
And I threw us into the flames
Well, it felt something died
'Cause I knew that that was the last time, the last time!


Sometimes I wake up by the door,
That heart you caught, must be waiting for you
Even now that we're already over
I can't help myself from looking for you.


I set fire to the rain,
And I threw us into the flames
Well, it felt something died
'Cause I knew that was the last time
The last time, oh, oh!


Let it burn
Let it burn
Let it burn

Adele

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Fracção

Vou deitar-te na eternidade, que é esse o teu lugar, é esse, é esse. E agora só tenho que te amar tudo de ti, não deixar nada de fora. Porque, sabê-lo-ás? Nunca ninguém amou completamente, houve sempre uma forma de amar fragmentária, parcial. Amou-se sempre em função de uma fracção do amor como se usou um vestuário segundo a moda, desde o calção ou o penante de plumas. Vou-te amar como Deus. Não, não. Deus não sente prazer nem movimento progressivo até ao prazer, coitado, é tão infeliz. Vou-te amar como um homem desde que os há, desde o tempo das cavernas até hoje e com um pequeno suplemento que é só meu.



Vergílio Ferreira, in "Em Nome da Terra"

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Hábitos

O sonho é a pior das cocaínas, porque é a mais natural de todas. Assim se insinua nos hábitos com a facilidade que uma das outras não tem, se prova sem se querer, como um veneno dado. Não dói, não descora, não abate – mas a alma que dele usa fica incurável, porque não há maneira de se separar do seu veneno, que é ela mesma.

Fernando Pessoa

sábado, 16 de abril de 2011

Nevermore

Armadilha

O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mai tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Gritos

Reaching out...
How things look different on the way down
Disillusioned, I've lost desire
Will I burn in the unforgiving fire?


From the flames, I walk away
I've found a way to erase the pain
An empty bottle, my receptacle
A guardian angel called escape


Don't dwell on the forthcoming
As I know it won't be happening
And you know, when I'm gone
You'll hear my cries on the wind

D.Patterson

terça-feira, 12 de abril de 2011

De Noite, de Dia, Triste, Alegre

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.


Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.


Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.


Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.


Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.


Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.


Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"

domingo, 10 de abril de 2011

Areias do Tempo

Maybe one day I'll be an honest man
Up till now I'm doing the best I can
Long roads.Long days, of sunrise, to sunset
Sunrise to sunset


Dream on brothers while you can
Dream on sisters I hope you will find the one
All of our lives, covered up quickly by the tides of time


Spend your days full of emptiness
Spend your years full of loneliness
Wasting love, in a desperate caress
Rolling shadows of night


Dream on brothers while you can
Dream on sisters I hope you will find the one
All of our lives, covered up quickly by the tides of time


Sands are flowing and the lines are in your hand
In your eyes I see the hunger, and the desperate cry that tears the night


Spend your days full of emptiness
Spend your years full of loneliness
Wasting love, in a desperate caress
Rolling shadows of night


Dickinson/Gers

sábado, 9 de abril de 2011

Fecha os Olhos

Não tenhas medo, não! Tranquilamente,
Como adormece a noite pelo Outono,
Fecha os teus olhos, simples, docemente,
Como, à tarde, uma pomba que tem sono...


A cabeça reclina levemente
E os braços deixa-os ir ao abandono,
Como tombam, arfando, ao sol poente,
As asas de uma pomba que tem sono...


O que há depois? Depois?... O azul dos céus?
Um outro mundo? O eterno nada? Deus?
Um abismo? Um castigo? Uma guarida?


Que importa? Que te importa, ó moribundo?
- Seja o que for, será melhor que o mundo!
Tudo será melhor do que esta vida!...


Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

Medo

Nada por acaso

Dias de mudança

Céu Inexistente

Quanta tristeza e amargura afoga
Em confusão a 'streita vida!
Quanto Infortúnio mesquinho
Nos oprime supremo!
Feliz ou o bruto que nos verdes campos
Pasce, para si mesmo anônimo, e entra
Na morte como em casa;
Ou o sábio que, perdido
Na ciência, a fútil vida austera eleva
Além da nossa, como o fumo que ergue
Braços que se desfazem
A um céu inexistente.


Ricardo Reis, in "Odes"

Destino?

I've felt you coming girl, as you drew near
I knew you'd find me, cause I longed you here
Are you my destiny? Is this how you'll appear?
Wrapped in a coat with tears in your eyes?
Well take that coat babe, and throw it on the floor
Are you the one that I've been waiting for?


As you've been moving surely toward me
My soul has comforted and assured me
That in time my heart it will reward me
And that all will be revealed
So I've sat and I've watched an ice-age thaw
Are you the one that I've been waiting for?


Out of sorrow entire worlds have been built
Out of longing great wonders have been willed
They're only little tears, darling, let them spill
And lay your head upon my shoulder
Outside my window the world has gone to war
Are you the one that I've been waiting for?


O we will know, won't we?
The stars will explode in the sky
O but they don't, do they?
Stars have their moment and then they die


There's a man who spoke wonders though I've never met him
He said, "He who seeks finds and who knocks will be let in"
I think of you in motion and just how close you are getting
And how every little thing anticipates you
All down my veins my heart-strings call
Are you the one that I've been waiting for?


Nick Cave

sábado, 2 de abril de 2011

...

Noite Iluminada I

A cabeça roda, vezes sem conta, o corpo baloiça sobre ele próprio,
oiço vozes, olho em redor, mas nada vejo.
Confusão, distorção, os meus olhos cerram-se.
O amanhã virá, mas hoje nunca mais passa.


As minhas decisões, são as minhas escolhas,
Olho para trás, e não hesito em seguir em frente.
Nos teus olhos vejo a minha felicidade, o meu amor.
Em ti vejo o caminho que escolhi.


Sou quem escolhi ser, amo quem o meu coração escolheu,
sem medo, nem receios, olho nos teus olhos e nos meus te vejo.
Arrepio-me ao te imaginar ao meu lado, choro com a tua ausência.
Fujo, corro, grito, desespero...quero-te....os meus sentidos procuram-te.


Receio a luz do dia em que os meus olhos não te deslumbram,
na escuridão da noite te procuro, no mar te encontro.
Escorrego nas rochas húmidas, o musgo me atraiçoa, mas o mar me liberta.
Em ti eu vivo, em ti o meu peito respira, meu coração arde e salta.


Suspiro, deliro, anseio por uma palavra tua, pela tua voz.
Se eu apenas pudesse aspirar a ser feliz....
Em ti, contigo, ao teu lado, oiço o vento, quero com ele flutuar,
quero-te comigo levar, sem mais nada recear, apenas te quero amar.....


Nada receies, deixa o corpo levitar, respirar
entrega-te, esquece o dia, a noite...esquece simplesmente.
Sente a brisa nos teus lábios, serão os meus,
Os meus olhos cerram, não te vejo, mas no meu peito vives.

Iurarim

O teu para sempre

Um dia...

Um dia
Hoje
Amanhã
Vou dizer o quanto te amo
Vou perder os meus medos
Vou beijar os teus lábios
Um dia
Hoje
Amanhã
Vou-me perder nos teus olhos
Navegar nos teus cabelos
Apertar-te contra mim
Um dia
Hoje
Amanhã
Para sempre


Mas um dia
Hoje
Amanhã
Não te vou dizer nada
Continuar com os meus medos
Longe dos teus lábios
Um dia
Hoje
Amanhã
Vou continuar perdido
Vou navegar sozinho nas ruas escuras
Eu e os meus fantasmas


Porque o amanhã não existe
E para sempre é uma ilusão

M

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Solo Gelado

Denial of our shadow side
Will often cause it to rise up
Against us


That he does not need to die
Allows his mind to soar
To fly


What if love's intolerable pain never leaves?
What will your life's mark leave upon this world?
What now, will my dark craft do with your body now?
We walk as Gods together through a fiery dawn
What if you love someone you know you shouldn't love?
What will your dying father's last words to you be?
What now, the painting of young lovers is complete?


What if love's intolerable pain never leaves us?
So we dash our bleeding hearts on the rocks of loneliness?
And cry unto the lords above who turn away in haste?


From the heart
Heart of snow
Comes the ice
It's crushing blow
From the soul
Whose love is sound
Comes the cold
It's frozen ground.

My Dying Bride

Dead Start

A dead start in my head
And the day's been laid
The things i really want
Always torn from my heart
You never saw the way
How i wanted you to stay
And now you're gone
I'm on my own


When i was thinking this
Was something permanent
You were already thinking
Of going away

Katatonia