Ponto final.
Adeus.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Can't you?
can't you see me falling? an endless fall
can't you hear me calling? a neverending call
can't you see me bleeding? I'm losing control
can't you see me dying? I'm dying alone
Chris Pohl
domingo, 24 de julho de 2011
Explosões em silêncio
Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Redundam em silêncio
Nada me diz
Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor
Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente
Remar Remar
Tim
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Redundam em silêncio
Nada me diz
Berras às bestas
Que te sufocam
Em braços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor
Remar remar
Forçar a corrente
Ao mar, ao mar
Que mata a gente
Remar Remar
Tim
sábado, 23 de julho de 2011
i ou uma pequena luz
Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumiére
just a little light
una piccola…em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a advinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luz
que vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
Indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.
Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:
brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
No meio de nós.
Brilha.
Jorge de Sena
All I wish I could say
I thought you might sway closer each day, All I wish I could say but you shy away. Our eyes engage but I can't see who's nearer. As clouds embrace you pull away I fear. I'm here, I'm here. Find a way to make me stay so near. Find a way and make me stay so near. I'm here. I'm here. I'm here. So Near.
Butterfly Explosion
Butterfly Explosion
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Frio e Medo
tenho medo. de noite, quando não consigo dormir, a morte ressuscita mortes. deitado sobre a cama, uma mão negra desce do tecto para tocar-me no peito. tenho medo. silêncio e frio sobre o meu corpo. olho para dentro de mim e não vejo nada. tenho medo. todos os que me chamam de dentro da escuridão, sabem que há uma casa com paredes antes de mim, sabem que eu não sou aquele que ilumina o mundo. tenho medo. quando não consigo dormir e prolongo as noites, a culpa envolve-me de medo e frio, o silêncio diz-me para esperar, pois o descanso virá com a noite maior, a noite em que a manhã nunca chegará.
José Luís Peixoto
quinta-feira, 21 de julho de 2011
domingo, 17 de julho de 2011
Supressed emotions
I hear your voice, I hear you cry
You sense the doubt inside your mind
Voices scream heaven and voices scream hell
All those words I used to know so well
Now I turn around with a pensive smile
Now I turn around, yeah I turn around, with tears in my eyes
This blood flows for you again
This blood it flows so cold
Me, I wrote a farewell note
Remembering how he have passed all our time
Things I said were sometimes not too clear
Although I truly loved you so dear
When you see me fall with a strangled smile
When you see me fall, yeah you see me fall, with bloodshot eyes
I've always tried to suppress my emotions
I tried to keep the land between our oceans
This love was just something passionate
And the sensations soon gonna fade again
Love Like Blood
You sense the doubt inside your mind
Voices scream heaven and voices scream hell
All those words I used to know so well
Now I turn around with a pensive smile
Now I turn around, yeah I turn around, with tears in my eyes
This blood flows for you again
This blood it flows so cold
Me, I wrote a farewell note
Remembering how he have passed all our time
Things I said were sometimes not too clear
Although I truly loved you so dear
When you see me fall with a strangled smile
When you see me fall, yeah you see me fall, with bloodshot eyes
I've always tried to suppress my emotions
I tried to keep the land between our oceans
This love was just something passionate
And the sensations soon gonna fade again
Love Like Blood
Alma da alma
Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.
Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
sábado, 16 de julho de 2011
Desce a noite
A noite desce, o calor soçobra um pouco,
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação directa com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E me aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Estou lúcido como se nunca tivesse pensado
E tivesse raiz, ligação directa com a terra
Não esta espécie de ligação de sentido secundário observado à noite.
À noite quando me separo das cousas,
E me aproximo das estrelas ou constelações distantes —
Erro: porque o distante não é o próximo,
E aproximá-lo é enganar-me.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Time and Distance
Across the oceans Across the seas, Over forests of blackened trees.
Through valleys so still we dare not breathe, To be by your side.
Over the shifting desert plains, Across mountains all in flames.
Through howling winds and driving rains, To be by your side.
Every mile and every year for every one a little tear.
I cannot explain this, Dear, I will not even try.
Into the night as the stars collide,
Across the borders that divide forests of stone standing petrified,
To be by your side.
Every mile and every year, For every one a single tear.
I cannot explain this, Dear, I will not even try.
For I know one thing, Love comes on a wing.
For tonight I will be by your side. But tomorrow I will fly.
From the deepest ocean To the highest peak,
Through the frontiers of your sleep.
Into the valley where we dare not speak, To be by your side.
Across the endless wilderness where all the beasts bow down their heads.
Darling I will never rest till I am by your side.
Every mile and every year, Time and Distance disappear I cannot explain this.
Dear No, I will not even try.
For I know one thing, Love comes on a wing and tonight I will be by your side.
But tomorrow I will fly away, Love rises with the day and tonight I may be by your side.
But tomorrow I will fly, Tomorrow I will fly, Tomorrow I will fly.
Nick Cave
Through valleys so still we dare not breathe, To be by your side.
Over the shifting desert plains, Across mountains all in flames.
Through howling winds and driving rains, To be by your side.
Every mile and every year for every one a little tear.
I cannot explain this, Dear, I will not even try.
Into the night as the stars collide,
Across the borders that divide forests of stone standing petrified,
To be by your side.
Every mile and every year, For every one a single tear.
I cannot explain this, Dear, I will not even try.
For I know one thing, Love comes on a wing.
For tonight I will be by your side. But tomorrow I will fly.
From the deepest ocean To the highest peak,
Through the frontiers of your sleep.
Into the valley where we dare not speak, To be by your side.
Across the endless wilderness where all the beasts bow down their heads.
Darling I will never rest till I am by your side.
Every mile and every year, Time and Distance disappear I cannot explain this.
Dear No, I will not even try.
For I know one thing, Love comes on a wing and tonight I will be by your side.
But tomorrow I will fly away, Love rises with the day and tonight I may be by your side.
But tomorrow I will fly, Tomorrow I will fly, Tomorrow I will fly.
Nick Cave
terça-feira, 12 de julho de 2011
Madrugada
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insónia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir.
Estou escrevendo versos realmente simpáticos —
Versos a dizer que não tenho nada que dizer,
Versos a teimar em dizer isso,
Versos, versos, versos, versos, versos...
Tantos versos...
E a verdade toda, e a vida toda fora deles e de mim!
Tenho sono, não durmo, sinto e não sei em que sentir.
Sou uma sensação sem pessoa correspondente,
Uma abstracção de autoconsciência sem de quê,
Salvo o necessário para sentir consciência,
Salvo — sei lá salvo o quê...
Não durmo. Não durmo. Não durmo.
Que grande sono em toda a cabeça e em cima dos olhos e na alma!
Que grande sono em tudo excepto no poder dormir!
Ó madrugada, tardas tanto... Vem...
Vem, inutilmente,
Trazer-me outro dia igual a este, a ser seguido por outra noite igual a esta...
Vem trazer-me a alegria dessa esperança triste,
Porque sempre és alegre, e sempre trazes esperança,
Segundo a velha literatura das sensações.
Vem, traz a esperança, vem, traz a esperança.
O meu cansaço entra pelo colchão dentro.
Doem-me as costas de não estar deitado de lado.
Se estivesse deitado de lado doíam-me as costas de estar deitado de lado.
Vem, madrugada, chega!
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.
Noite absoluta, sossego absoluto, lá fora.
Paz em toda a Natureza.
A Humanidade repousa e esquece as suas amarguras.
Exactamente.
A Humanidade esquece as suas alegrias e amarguras.
Costuma dizer-se isto.
A Humanidade esquece, sim, a Humanidade esquece,
Mas mesmo acordada a Humanidade esquece.
Exactamente. Mas não durmo.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Ao longe, ao luar
Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?
Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.
Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Opaco
A confusão a fraude os erros cometidos
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos
Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
A transparência perdida — o grito
Que não conseguiu atravessar o opaco
O limiar e o linear perdidos
Deverá tudo passar a ser passado
Como projecto falhado e abandonado
Como papel que se atira ao cesto
Como abismo fracasso não esperança
Ou poderemos enfrentar e superar
Recomeçar a partir da página em branco
Como escrita de poema obstinado?
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
domingo, 10 de julho de 2011
Cego. Surdo. Mudo
Desculpa
Magoei-te
E não me perdoo
Fui cego
E contra um muro embati
Fui surdo
Deixei de ouvir os pássaros
Fui mudo
Parei de dizer gosto de ti
Fui insensivel
E não me perdoas
Perdi-te
E vou-me perder
Vais embora
Posso morrer...
M
All the past still yet to come
Sorrow's child, sits by the river,
Sorrow's child, hears not the water
And just when it seems as though
You've got strength enough to stand,
Sorrow's child, all weak and strange,
Stands waiting at your hand
Sorrow's child, steps in the water
Sorrow's child, you follow after
Sorrow's child, wades in deeper
Sorrow's child, invites you under
And just when you thought as though
All your tears were wept and done,
Sorrow's child grieves not what has passed
But all the past still yet to come
Sorrow's child, sits by the water
Sorrow's child, your arms enfold her
Sorrow's child, you're loathe to befriend her
Sorrow's child, but in sorrow surrender
And just when is seems as though
All your tears were at an end,
Sorrow's child lifts up her hand
And she brings it down again
Nick Cave
Sorrow's child, hears not the water
And just when it seems as though
You've got strength enough to stand,
Sorrow's child, all weak and strange,
Stands waiting at your hand
Sorrow's child, steps in the water
Sorrow's child, you follow after
Sorrow's child, wades in deeper
Sorrow's child, invites you under
And just when you thought as though
All your tears were wept and done,
Sorrow's child grieves not what has passed
But all the past still yet to come
Sorrow's child, sits by the water
Sorrow's child, your arms enfold her
Sorrow's child, you're loathe to befriend her
Sorrow's child, but in sorrow surrender
And just when is seems as though
All your tears were at an end,
Sorrow's child lifts up her hand
And she brings it down again
Nick Cave
sábado, 9 de julho de 2011
Rêve
J'ai rêvé de grands paysages verts et d'un soleil perçant les nuages,
D'une eau pure et étincellante, de l'odeur des bois et de la terre.
Chaque hiver, j'espère quen disparaissant, la neige me dévoilera
Ton vrai visage.
Vous-tu ces bocs gris ?
Ce sont les nouveaux rochers,
Il ny pousse pas de mousse.
Vois-tu ces grands bâtons droits ?
Ce sont les nouveaux arbres.
Vois-tu ces grands batons droits ?
Ce sont leurs nouvelles armes.
Les Discrets
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Tempo demais
Há muito que não tinha alguém
Alguém com quem voar
Há muito que não tinha alguém
Alguém com quem falar
Faz tanto tempo
Tempo demais
Sem conhecer um olhar
De alguém em quem confiar
Faz tanto tempo
Tempo demais...
M
Alguém com quem voar
Há muito que não tinha alguém
Alguém com quem falar
Faz tanto tempo
Tempo demais
Sem conhecer um olhar
De alguém em quem confiar
Faz tanto tempo
Tempo demais...
M
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Tomorrow's long with eternal night
I need to be alone tonight
Smother me or suffer
Lay down I'll die tonight
Smother me or suffer
When I'm gone, wait here
Discover all of life's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good smile
If you pass through my soul tonight
Gather all it's troubles
Tomorrow's long with eternal night
Gather for tomorrow
When I'm gone, wait here
Discover all of earth's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good smile
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Lay down, lay down, lay down for me
Lay down, lay down, lay down with me
When I'm gone, wait here
Discover all of life's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good bye
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Between the cracks and hollows
The earth is good
Hey ! Embrace me, someone's gonna suffer
Hey ! Embrace me, someone's gonna suffer
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Someone
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Someone
Hey embrace me someone's gonna suffer
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Hey! hey hey
Someone's gonna suffer
Sweet dreams my angel at last good bye
Sweet dreams!
Fields of the Nephilim
Smother me or suffer
Lay down I'll die tonight
Smother me or suffer
When I'm gone, wait here
Discover all of life's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good smile
If you pass through my soul tonight
Gather all it's troubles
Tomorrow's long with eternal night
Gather for tomorrow
When I'm gone, wait here
Discover all of earth's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good smile
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Lay down, lay down, lay down for me
Lay down, lay down, lay down with me
When I'm gone, wait here
Discover all of life's surprises
When I'm gone, wait here
I'll send my child my last good bye
Between the cracks and hollows
The earth is good, the earth is good
Between the cracks and hollows
The earth is good
Hey ! Embrace me, someone's gonna suffer
Hey ! Embrace me, someone's gonna suffer
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Someone
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Someone
Hey embrace me someone's gonna suffer
Lay lay lay it on lay lay lay it on me
Hey! hey hey
Someone's gonna suffer
Sweet dreams my angel at last good bye
Sweet dreams!
Fields of the Nephilim
Alguém diferente...
Mereces alguém melhor
Alguém que não seja
Este corpo sem alma
Este ser abjecto
Este animal que nada almeja
Mereces alguém melhor
Alguém que não seja
Esta confusão de sentimentos
Este individuo esquizofrénico
Este espinho que te magoa
Mereces alguém melhor
Mereces alguém para ti
Alguém diferente de mim
M
Alguém que não seja
Este corpo sem alma
Este ser abjecto
Este animal que nada almeja
Mereces alguém melhor
Alguém que não seja
Esta confusão de sentimentos
Este individuo esquizofrénico
Este espinho que te magoa
Mereces alguém melhor
Mereces alguém para ti
Alguém diferente de mim
M
terça-feira, 5 de julho de 2011
Mas eu...
Não sei se gostas de mim
Mas gosto de ti
Se calhar odeias-me
Mas gosto de ti
Não me vês
Mas guardo a tua imagem
Na minha memória
Não me falas
Mas oiço a tua voz
Nos meus ouvidos
Não te posso tocar
Mas sonho com a tua pele na minha
Não me beijas
Mas imagino o sabor dos teus lábios
Não respiras
Mas guardo o teu suspiro
No meu peito
M
Mas gosto de ti
Se calhar odeias-me
Mas gosto de ti
Não me vês
Mas guardo a tua imagem
Na minha memória
Não me falas
Mas oiço a tua voz
Nos meus ouvidos
Não te posso tocar
Mas sonho com a tua pele na minha
Não me beijas
Mas imagino o sabor dos teus lábios
Não respiras
Mas guardo o teu suspiro
No meu peito
M
Por isso finjo
Olho para ti
Não gostas eu sei
Por isso finjo
Olhar os pássaros
As pessoas que passam
Mas pelo canto do olho
Adoro o teu sorriso
Oiço-te
E detesto o teu silêncio
Perco-me nos teus olhos
E não me quero encontrar
"Estou farta", dizes
E no meu peito a apertar
Uma incapacidade eu sinto
De fazer aparecer
Esse teu sorriso
Por isso finjo
Não olhar para ti
M
Não gostas eu sei
Por isso finjo
Olhar os pássaros
As pessoas que passam
Mas pelo canto do olho
Adoro o teu sorriso
Oiço-te
E detesto o teu silêncio
Perco-me nos teus olhos
E não me quero encontrar
"Estou farta", dizes
E no meu peito a apertar
Uma incapacidade eu sinto
De fazer aparecer
Esse teu sorriso
Por isso finjo
Não olhar para ti
M
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Lívido
A tua morte, que me importa,
se o meu desejo não morreu?
Sonho contigo, virgem morta,
e assim consigo (mas que importa?)
possuir em sonho quem morreu.
Sonho contigo em sobressalto,
não vás fugir-me, como outrora.
E em cada encontro a que não falto
inda me turbo e sobressalto
à tua mínima demora.
Onde estiveste? Onde? Com quem?
— Acordo, lívido, em furor.
Súbito, sei: com mais ninguém,
ó meu amor!, com mais ninguém
repartirás o teu amor.
E se adormeço novamente
vou, tão feliz!, sem azedume
— agradecer-te, suavemente,
a tua morte que consente
tranquilidade ao meu ciúme.
David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"
se o meu desejo não morreu?
Sonho contigo, virgem morta,
e assim consigo (mas que importa?)
possuir em sonho quem morreu.
Sonho contigo em sobressalto,
não vás fugir-me, como outrora.
E em cada encontro a que não falto
inda me turbo e sobressalto
à tua mínima demora.
Onde estiveste? Onde? Com quem?
— Acordo, lívido, em furor.
Súbito, sei: com mais ninguém,
ó meu amor!, com mais ninguém
repartirás o teu amor.
E se adormeço novamente
vou, tão feliz!, sem azedume
— agradecer-te, suavemente,
a tua morte que consente
tranquilidade ao meu ciúme.
David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"
domingo, 3 de julho de 2011
Cadeira vazia
a cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma
e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida
o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face
pai, digo-te
a minha sombra és tu
Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
não aquece a madeira que lhe dá forma
e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida
o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colada aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face
pai, digo-te
a minha sombra és tu
Jorge Reis-Sá, in "A Palavra no Cimo das Águas"
sábado, 2 de julho de 2011
Aos ausentes
Fala
Ouvir-te-ei
Ainda que os segredos
As amoras me chamem
Diz-me
Que existirão lágrimas para chorar
Na velhice
Na solidão
Ainda que acordes os olhos dos deuses
Fala
Ouvir-te-ei
A coragem
Alguém de nós que já não está
Daniel Faria, in "Oxálida"
Ouvir-te-ei
Ainda que os segredos
As amoras me chamem
Diz-me
Que existirão lágrimas para chorar
Na velhice
Na solidão
Ainda que acordes os olhos dos deuses
Fala
Ouvir-te-ei
A coragem
Alguém de nós que já não está
Daniel Faria, in "Oxálida"
Muro
Imaginar a forma
doutro ser Na língua,
proferir o seu desejo
O toque inteiro
Não existir
Se o digo acendo os filamentos
desta nocturna lâmpada
A pedra toco do silêncio densa
Os veios de um sangue escuro
Um muro vivo preso a mil raízes
Mas não o vinho límpido
de um corpo
A lucidez da terra
E se respiro a boca não atinge
a nudez una
onde começo
Era com o sol E era
um corpo
Onde agora a mão se perde
E era o espaço
Onde não é
O que resta do corpo?
Uma matéria negra e fria?
Um hausto de desejo
retém ainda o calor de uma sílaba?
As palavras soçobram rente ao muro
A terra sopra outros vocábulos nus
Entre os ossos e as ervas,
uma outra mão ténue
refaz o rosto escuro
doutro poema
António Ramos Rosa, in "A Nuvem Sobre a Página"
doutro ser Na língua,
proferir o seu desejo
O toque inteiro
Não existir
Se o digo acendo os filamentos
desta nocturna lâmpada
A pedra toco do silêncio densa
Os veios de um sangue escuro
Um muro vivo preso a mil raízes
Mas não o vinho límpido
de um corpo
A lucidez da terra
E se respiro a boca não atinge
a nudez una
onde começo
Era com o sol E era
um corpo
Onde agora a mão se perde
E era o espaço
Onde não é
O que resta do corpo?
Uma matéria negra e fria?
Um hausto de desejo
retém ainda o calor de uma sílaba?
As palavras soçobram rente ao muro
A terra sopra outros vocábulos nus
Entre os ossos e as ervas,
uma outra mão ténue
refaz o rosto escuro
doutro poema
António Ramos Rosa, in "A Nuvem Sobre a Página"
O cerco ao fim
Ninguém te vai parar
Perguntar...
Fazer, saber... porquê
Vais ter de te oferecer
Entender,
O que fará viver
Vê...
Não basta ir
Voar,
Seguir
O cerco ao fim
Aperta,
Trai
Morde, engana a sorte
Cai
Não lembra de ti
É só amor desfeito
Perguntar...
Fazer, saber... porquê
Vais ter de te oferecer
Entender,
O que fará viver
Vê...
Não basta ir
Voar,
Seguir
O cerco ao fim
Aperta,
Trai
Morde, engana a sorte
Cai
Não lembra de ti
É só amor desfeito
Rosa Sangue ao peito
Lágrima que deito
Sem voltar atrás
Cresce e contamina
Tolhe a luz à vida
E afinal ensina, quebra,
Dobra a dor e entrega
Amor sincero
Honra tanto
Esmero
Cala o desespero
É simples
Tudo o que é da vida
Herdou sentido
Tem-te se for tido
Sabe ser vivido
Fala-te ao ouvido
E nasces tu...
"Rosa Sangue", Amor Electro
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