domingo, 29 de janeiro de 2006

Longe...

Ao redor desta fogueira
Enquanto as armas descansam
Deito meus olhos aos céus
Pelas estrelas dos teus
Amada, senhora, pomba de cristal
Amada, senhora, morro de paixão
Ao redor desta fogueira
Enquanto as armas descansam
Deito meus olhos aos céus
Por se não verem nos teus
Amada, senhora, lágrima do céu
Amada, senhora, morro de paixão
Ao redor desta fogueira
Enquanto as armas descansam
Peito rasgado de amor
Troa o rufar do tambor
Amor quão longe tu estás
Amor quão longe tu estás

"Saudade", Pedro Ayres de Magalhães e Heróis do Mar

sábado, 21 de janeiro de 2006

Quero-te

A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se á espreita

Nunca dei um passo
Que fosse correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto

De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São as minhas esperas

E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto
Quero-te tanto

"Circo de Feras", Tim e Xutos e Pontapés

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Fogo

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contatamento descontente,
é dor que destina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é um nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence o vencedor;
é ter, com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode o seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Não me vês!

Threw you the obvious and you flew
With it on your back, a name in your recollection,
Thrown down among a million same.
Difficult not to feel a little bit disappointed
And passed over
When i've looked right through
To see you naked and oblivious
And you don't see me.
But i threw you the obvious
Just to see if there's more behind the eyes
Of a fallen angel,
The eyes of a tragedy.
Here i am expecting just a little bit
Too much from the wounded.
But i see through it all and see you.
So i threw you the obvious
To see what occurs behind the eyes of a fallen angel,
Eyes of a tragedy.
Oh well. Apparently nothing.
You don't see me.
You don't see me at all.

"3 Libras", A Perfect Circle

sábado, 14 de janeiro de 2006

A teus pés

I am a dreamer but when I wake,
You can't break my spirit - it's my dreams you take.
And as you move on, remember me,
Remember us and all we used to be.
I've seen you cry, I've seen you smile.
I've watched you sleeping for a while.
I'd be the father of your child.
I'd spend a lifetime with you.
I know your fears and you know mine.
We've had our doubts but now we're fine,
And I love you, I swear that's true.
I cannot live without you.

Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.
In mine when I'm asleep.
And I will bear my soul in time,
When I'm kneeling at your feet.
Goodbye my lover.
Goodbye my friend.
You have been the one.
You have been the one for me.

"Goodbye My Lover", James Blunt

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Não Esqueci


Há uma voz de sempre
Que chama por mim
Para que eu lembre
Que a noite tem fim

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Em nome de um sonho
Em nome de ti

Procuro à noite
Um sinal de ti
Espero à noite
Por quem não esqueci
Eu peço à noite
Um sinal de ti
Quem não esqueci...

Por sinais perdidos
Espero em vão
Por tempos antigos
Por uma canção

Ainda procuro
Por quem não esqueci
Por quem já não volta
Por quem eu perdi.

"Por Quem Não Esqueci", Sétima Legião

domingo, 8 de janeiro de 2006

Anjo Caído

As I draw up my breath,
And silver fills my eyes.
I kiss her still,
For she will never rise.

On my weak body,
Lays her dying hand.
Through those meadows of Heaven,
Where we ran.

Like a thief in the night,
The wind blows so light.
It wars with my tears,
That won't dry for many years.

"Loves golden arrow
At her should have fled,
And not Deaths ebon dart
To strike her dead."

"For My Fallen Angel", My Dying Bride


sábado, 7 de janeiro de 2006

Triste


Aquela clara madrugada que
viu lágrimas correrem no teu rosto
e alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
meu nome no teu nome. E demorados
viu nossos olhos juntos nos segredos
que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti.
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
que fez triste a clara madrugada.

"E alegre se fez triste", Manuel Alegre

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Gosto de Ti

Sentado no cais
A ver ao longe o mar
E a ponte sobre o Tejo
Se tudo é tão bonito
É por causa de ti
E deste meu desejo

Afinal vale a pena
Não pensar em mais ninguém

Só gosto de ti
Porquê não sei
Mas estou bem assim
E tu também

Ali vai um paquete
Aqui passa o navio
Lá vão eles viajar
Se tu aqui estivesses
Gostavas como eu
Gostavas de os ver passar

Afinal vale a pena
Não pensar em mais ninguém

Só gosto de ti
Porquê não sei
Mas estou bem assim
E tu também.

"Só Gosto de Ti", Pedro Ayres Magalhães & Heróis do Mar


quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Ossos


Quantas vezes caminhei pela praia à espera que viesses.
Luas inteiras.
Praias de cinza invadidas pelo vento.
Quantas estações quantas noites indormidas.
Embranqueceram-me os cabelos.
E só hoje quando exausto me deitei em mim reparei que sempre estiveste a meu lado.
Na cal frágil dos meus ossos.
Nas hastes do mar infiltradas no sangue.
Na película dos meus olhos quase cegos.

Casimiro de Brito

quarta-feira, 4 de janeiro de 2006

Amar

Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar. Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar

a tua pele molhada de sereia.
Bastava, sim, encher o peito de ar.
fazer amor contigo sobre a areia.

Joaquim Pessoa

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Nada!



In this hole, that is me, the dead are rolling over,
In this hole, thickening, dirt shoveled over shoulders
I feel it in me, so overwhelmed, on this pressure center rising,
My life overturned, unfair the desoair, all these scars keep ripping open.

In this hole, that is me, a life that's growing feeble,
In this hole, so limiting, the sun has set all darkens,
Buried underneath, hands slip off the wheel,
Internal pathway to contention.

In this hole, that is me, left whit a heart exhausted,
What's my release? What sets me free?
Do you pull me up just to push me down again?

Peel me from the skin, tear me from the rind,
Does it make you happy now?
Tear me from the bone, tear me from myself,
Are you feeling happy now?

Does it make you happy?
Are you feeling happy?
Are you fucking happy now that i'm lost left with
NOTHING?

"Happy?", Mudvayne

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Adeus II

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou se preferes, a minha boca nos teus olhos,
carregada de flor e dos teus dedos;

como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro ti,
eu falei em neve, e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.

Como se a noite viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde o teu corpo principia.

Como se houvesse nuvens sobre nuvens,
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

Eugénio de Andrade


domingo, 1 de janeiro de 2006

Adeus


É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer a humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
Consumada,
Um poema de líquido pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.
Miguel Torga