terça-feira, 25 de julho de 2006

Noite

Ai,como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...

E tão febril e delicada
Que nãp pudesses dar um passo -
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...

Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas -
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...

Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata -
Teus frenesins, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...

Teus beijos, queria-os de tule
Tarnsparecendo carmim -
Os teus espamos, de seda...

- Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor por mim...

"A Inigualável", Mário de Sá-Carneiro

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