sábado, 5 de maio de 2007

Volta

Quando já só me resta a falta de um desejo,
na saudade do que já foi, e que não mais será,
talvez novo futuro, no qual nada prevejo,
me traga um sentimento que de ninguém virá.

Quando o meu próprio ser é um vazio total.
Quando não vejo mais o fim p'ra que prossigo.
Quando também me falta a fé no imortal
e quando já nem sei, nem creio no que digo.
Quando já nem me resta o que julgava ser
uma mentira que possa ser final,
que mais na vida me fica p'ra viver?

A esperança que num dia algo virá de novo?
Que a realidade de hoje é algo de irreal
e que o bem e o mal são ilusões de um povo?
Ou que a hora que passa é um clarão final,
um novo sol brilhante, um novo renascer?

Poderei só reter parte dum passado,
de amor, ou amizade, ou mesmo de ideal?
Ou só o esquecimento acaba a ansiedade
de podermos, mas sem finalmente não poder,
ter anseios, nem desejos, nem vontade, nem querer,
e mesmo assim, ficando ainda em nós
a força de matar, ao pensarmos em morrer?

Então, talvez seja verdade voltar a decobrir
que novas seduções podem viver comigo:
amor, ambição, beleza, botão de rosa a abrir...
Ou simplesmente a volta de um amigo.

"Um Amigo", Jeremias

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