sábado, 15 de outubro de 2011

A forma esquiva

Minha obsessão
minha prisão
a que fujo e mísero apeteço

Por tua mão
floresço e me destruo
buscando entre as paredes que construo
dum labirinto em carne viva
a forma esquiva
duma fresta no muro

O que pinto aborreço
O que não pinto dói-me até à raiva silenciosa
que esterilmente incita

Pudesse eu apagar com estas cores
as cores que eu mesmo busco sem saber
e passar sobre esta lava a paz que procurando só procuro
não ter

Pudesse eu destruir a chama impiedosa
de que aflito me cerco

Mas se te perco
que me fica?


Mário Dionísio

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