quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Longínqua paixão de não estar no mundo

Como quem, roçando um arco às vezes
        Por um violino, ao acaso,
Súbito som excessivamente belo e saudoso
        Ouve-se, e não se pode encontrar outra vez,

Às vezes, sou certos gestos súbitos do Momento,
        Gemo irrespiradas sensações...
E são um tédio repentino à cor e à hora das coisas
E uma lamúria e longínqua paixão de não estar no mundo.

Árvores longínquas que esperam por mim desde Deus...
Paisagens mais perto da alma... Ou são grandes pálios
Em procissões interminavelmente a mesma...
Levando-me num triunfo de coisa nenhuma, sonolento e voluptuoso,
E perdido fico no Tempo como um momento em que se não pensa em nada...

Bernardo Soares

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