terça-feira, 27 de junho de 2006

Versos

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos;
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo des desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê; por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...

"Poema melacólico a não sei que mulher", Miguel Torga

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