quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Margens

Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.

Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?

"Surdo, Subterrâneo Rio", Eugénio de Andrade

1 comentário:

A.Tapadinhas disse...

Abri recentemente o meu blog com o título "Sem margens". Fiquei curioso com a coincidência de palavras e, em boa hora consultei o seu blog. Está excelente! E tive como bónus um poema de Eugénio de Andrade!