Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
--- surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
"Surdo, Subterrâneo Rio", Eugénio de Andrade
1 comentário:
Abri recentemente o meu blog com o título "Sem margens". Fiquei curioso com a coincidência de palavras e, em boa hora consultei o seu blog. Está excelente! E tive como bónus um poema de Eugénio de Andrade!
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